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26/02/2018 - 12:07

Faltou trabalho para cerca de 26,4 milhões de brasileiros em 2017, aponta IBGE

Faltou trabalho para cerca de 26,4 milhões de brasileiros em 2017, aponta IBGE


Faltou trabalho para cerca de 26,4 milhões de brasileiros e brasileiras em 2017, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) trimestral, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (23).

Desse total, 12,3 milhões estavam desempregados e 6,5 milhões subocupados – pessoas que trabalharam menos de 40 horas por semana porque foram as únicas oportunidades no mercado de trabalho que encontraram.

No Brasil do desemprego, sobra desalento: 4,3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras estão desestimulados a procurar emprego. Elas podem, querem e precisam trabalhar, mas não procuraram emprego nos últimos 30 dias, desanimaram porque não conseguiram. Se tivessem conseguido trabalho, estariam disponíveis para assumir a vaga.

Para a secretária de Relações do Trabalho da CUT, Graça Costa, esse desalento entre os trabalhadores desempregados é o reflexo mais natural do abandono em que o Brasil se encontra.

“Com a economia em recessão e a aprovação da reforma Trabalhista, as poucas vagas que são oferecidas são de empregos muito precários. Os poucos que conseguem trabalho têm de se submeter a baixos salários, sem direitos garantidos e completamente desprotegidos”, explica.

O Nordeste é a região com o maior número de desalentados – 59,7% do total nacional. A Bahia, com 663 mil, e o Maranhão, com 410 mil, são os estados campeões.

Segundo o IBGE, este é o maior contingente de desalentados já registrado desde 2012, quando começou a série histórica feita pelo Instituto. No primeiro trimestre de 2012, esse número correspondia a 1,9 milhão de pessoas.

Uma das razões para o desalento pode ser o aumento na demora para conseguir emprego nos últimos meses. Pesquisa feita pelo SPC e CNDL apontou que os brasileiros estão demorando, em média, um ano e dois meses para conseguir emprego no Brasil.

“Não bastasse isso, com o congelamento do orçamento e a queda da arrecadação, os serviços públicos estão ficando cada vez mais sucateados e o trabalhador fica doente e não tem atendimento, não tem escola decente para os filhos, o transporte é ruim e caro e a violência toma conta das periferias das grandes e pequenas cidades”, critica Graça Costa.

“É difícil para os trabalhadores e trabalhadoras encontrarem esperanças e forças para continuar buscando saídas, é muita coisa ruim ao mesmo tempo”, completou a secretária de Relações do Trabalho da CUT.

Segundo o pesquisador Cimar Azeredo, do IBGE, se os desalentados começassem a procurar emprego, a taxa de desocupação aumentaria. Isso porque, o IBGE considera como desocupado aquele trabalhador que procurou emprego, mas não conseguiu.

Ele disse, ainda, que “as políticas para o mercado de trabalho têm de olhar para os 26,4 milhões de brasileiros que estão sem trabalho”.

Do total de mais de 26 milhões sem trabalho, 3,3 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, apesar de considerados força de trabalho em potencial, não estavam disponíveis para trabalhar.

 

 

Fonte: Tatiana Melim – CUT Nacional